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Este é o nosso espaço para reflexão, comunhão e relação com Deus e sobre Deus.
"A Teologia deve aproximar os homens de Deus , se a sua teologia te distanciar reveja seus fundamentos"

domingo, 8 de fevereiro de 2026

A fé não mata a questão, a questão cabe na fé.

Há uma mentira piedosa circulando nos corredores religiosos: a de que fé de verdade é aquela que não pergunta nada. A de que quem crê não treme, não duvida, não questiona, não sofre, não entra em crise. Como se a fé fosse um analgésico espiritual, uma espécie de morfina sagrada que cala a alma e silencia a dor.


Mas a fé bíblica não é isso.


A fé não mata a questão.

A questão cabe na fé.


A fé não é o fim das perguntas — é o lugar onde elas são colocadas sem que a pessoa desmorone.


Porque quem ama pergunta. Quem sente pergunta. Quem está vivo pergunta.

E quem está atravessando o vale mais escuro da vida… pergunta gritando.


E então chega o Calvário.


Ali não está um homem fraco.

Ali está o Filho de Deus.

Ali não está um crente confuso.

Ali está o Autor da fé.


E mesmo assim… Ele pergunta.


“Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”


Repare: Jesus não negou Deus.

Ele não abandonou o Pai.

Ele não desistiu do propósito.


Ele perguntou dentro da relação.


A pergunta de Jesus não é blasfêmia — é oração.

É dor em forma de fidelidade.

É sofrimento que não rompe a aliança, apenas expõe a ferida.


E aqui está a parte que provoca:


Se Jesus, o Santo, o perfeito, o sem pecado, teve espaço para perguntar…

quem foi que te convenceu que você só pode crer se não sentir nada?


O problema é que muita gente confunde fé com ausência de conflito.

Mas fé não é ausência de conflito.

Fé é permanência.


É continuar chamando Deus de “meu” mesmo quando tudo parece gritar: “Ele foi embora”.


Porque no grito do Calvário existe uma palavra que muda tudo:

“MEU” Deus.


Jesus não disse: “Deus, onde estás?”

Ele disse: “Deus MEU”.


Ou seja:

a questão era real, mas a aliança era maior.


A fé não é uma explicação pronta.

A fé é uma mão estendida no escuro.

É um coração que sangra, mas não se entrega ao cinismo.

É um espírito esmagado que ainda consegue dizer: “Eu não entendo, mas eu permaneço.”


Tem gente que acha que questionar é sinal de incredulidade.

Mas muitas vezes, questionar é sinal de intimidade.


Porque só pergunta “por quê” quem ainda se importa.


O cético não pergunta. Ele debocha.

O ferido pergunta.

O filho pergunta.

O discípulo pergunta.

O adorador pergunta.


E sabe o que é mais profundo?


O “por quê” de Jesus não foi um tropeço no caminho da fé.

Foi parte do caminho.


A cruz não foi só o lugar onde Jesus salvou o mundo.

Foi o lugar onde Ele santificou a dor humana.

Onde Ele mostrou que fé não é fingir força, é permanecer mesmo sem respostas.


Então, quando você estiver esmagado, confuso, sem entender, e alguém disser:

“Não questiona, só crê…”


Você pode responder com o Calvário:


A fé não mata a questão.

A questão cabe na fé.

E a fé prevalece.


Porque no fim, não é a ausência de perguntas que prova que você crê.

É o fato de que, mesmo perguntando, você ainda está de joelhos.


E se a sua fé hoje só consegue fazer uma oração curta, quebrada e chorada…


Faça como Jesus.


Diga apenas:

“Deus meu…”


E isso já é fé suficiente para atravessar a noite!


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